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NÃO VOU FALAR OUTRA VEZ!

  • 02 de Fevereiro de 2016
  • Marcelo Gomes

Aguardando voo para São Paulo, no aeroporto de uma outra capital da nação, ouvi o anúncio, pelo sistema de som, de determinada companhia aérea: "atenção Sra. L.L., ÚLTIMA chamada para o voo X, com embarque no portão Y". Olhei, mas não vi ninguém chegando ao portão indicado. 

Passados um ou dois minutos, eis que o anúncio se repetiu: "atenção Sra. L.L., ÚLTIMA chamada para o voo X, com embarque no portão Y". De novo, ninguém chegou. E depois disso, foram mais quatro repetições das mesmas palavras, sem que a Sra. L.L. viesse para seu embarque. 

Lembrei de uma mãe com seu filho, os quais vi na mesa em frente à minha enquanto tomava um café: "pare de brincar com o copo!" - ela dizia. "Eu não vou falar outra vez!" E deve ter repetido essa frase umas cinco ou seis vezes, aos ouvidos indiferentes de um garotinho que nem se dignava olhar para ela.

Não desejo parecer moralista ou inconveniente, mas acredito que precisamos repensar certas posturas. Se não será a última vez que falarei algo, porque ameaço que será? E se disse que seria a última, porque repetirei? Qual tem sido meu compromisso com minha própria palavra? 

Jesus disse: "seja o seu falar sim, sim; e não, não. O que passar disso vem do maligno". Em outras palavras, o meu "sim" deve significar sempre "sim" e o meu "não", sempre "não". E por que o significado excedente é atribuído ao maligno? Porque o maligno é o pai da mentira! Simples.

Isso não quer dizer que uma pessoa não pode descobrir-se incapaz, vez ou outra, de cumprir o que assumiu, mas ela o sente com quebrantamento genuíno e o faz seguir por um pedido de perdão sincero. É uma tristeza dizer e não fazer. Por isso, o salmista lembrou que o justo "jura com dano próprio, mas não muda". Forte, não?

O Eclesiastes sugere que cada pessoa faça menos votos e pense duas vezes antes de fazer um. "Deus não se agrada de tolos! É melhor não fazer um voto que fazer e não cumprir!" Assim, se um pai não quiser cumprir suas ameaças, que não as faça! Encontre caminhos mais sábios para disciplinar o filho. Mas não o ensine a pensar que o que se fala não se escreve. Será ruim para todos.

No mais, proponho a reflexão profunda a respeito de como nossas mentiras corriqueiras e, aparentemente, sem grande importância, contribuem na construção de uma sociedade em que a mentira é um mal endêmico, epidêmico e crônico. De minha parte, vou ficar aqui imaginando por que a Sra. L.L. não compareceu ao seu voo. Deve ser uma história interessante, também.

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