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PREDESTINAÇÃO E ADORAÇÃO

  • 12 de Fevereiro de 2016
  • Marcelo Gomes

Acusam Calvino e os presbiterianos de uma doutrina que, na verdade, é de autoria do apóstolo Paulo: a predestinação. Por ela cremos que o Deus soberano da Bíblia está não apenas no desfecho de nossas decisões e escolhas, mas também em sua origem. Como escreveu aos romanos: “aos que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (8:29, grifo meu).

Outro termo que usou com freqüência e sentido muito semelhante foi eleição. Deus – dizia Paulo – nos elegeu (escolheu soberanamente) antes da fundação do mundo. Chamava os crentes de eleitos (Colossenses 3:12; Tito 1:1) e tinha tão clara a questão da escolha divina que, falando sobre Esaú e Jacó, declarou: “Ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama), e já fora dito a Rebeca: o mais velho será servo do mais moço” (Romanos 9:11-12, grifo meu).

Veja como uniu os dois conceitos numa mesma declaração, dirigida aos Efésios: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo, assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele. Em amor, nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade...” (1:3-5, grifos meus).

Diferentemente, porém, do que se possa pensar, não foi o objetivo de Paulo propor uma espécie de determinismo espiritual, no qual os salvos já estão inequivocamente definidos e os perdidos, irremediavelmente condenados, não havendo nada a fazer. Não podemos esquecer que Paulo foi o maior missionário da história do cristianismo, tendo pregado insistentemente a todos quantos encontrou pelo caminho, instando-lhes a que se convertessem e fossem perdoados. Nunca mencionou predestinação em qualquer mensagem evangelística. Jamais pregou a não crentes influenciado por esta doutrina.

O objetivo de Paulo, ao que parece, era conduzir os crentes à adoração. Sua recorrência ao tema está relacionada a textos doxológicos, que exaltam a Trindade em sua majestade e glória, ou parenéticos, que incentivam a uma vida de santidade e compromisso com o Deus que escolhe sem considerar merecimentos ou pecados. Desejava livrar-lhes do orgulho que, cedo ou tarde, faz o cristão acreditar que tem méritos por sua salvação. Por que gloriar-se de uma decisão que, em última instância, foi de Deus? Como o próprio Jesus exortou: “não fostes vós que escolhestes a mim; eu escolhi a vós” (João 15:16). 

A favor de uma vida cristã sadia e madura deve-se compreender, portanto, que a doutrina da predestinação ilumina o passado e não o futuro. Se a projetarmos neste, ficaremos inertes e negligenciaremos nossa responsabilidade cristã. Se a lançarmos sobre aquele, reconheceremos que Deus é a razão de nossos acertos e seremos livres do orgulho que conduz ao falso moralismo e à perdição. Como arrematou o mesmo Paulo: “Ou desprezas a riqueza da sua bondade, tolerância e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento?” (Romanos 2:4). Toda glória a Deus! Sempre!

(Extraído do Livro "APENAS ALGUNS LIMÕES)

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